A arte de cair na estrada

*Esta matéria é uma contribuição de Caio Agudo, colaborador do Departamento de Marketing da MBigucci, que compartilha aqui suas aventuras como “mochileiro”

As minhas histórias começam em 2009, quando tive a oportunidade de morar do outro lado do mundo com objetivos educativos e sociais, mas que logo se tornariam mais culturais do que qualquer outra coisa.

Na Austrália, cidade de Brisbane, a 3ª maior do país, eu morei, estudei, trabalhei, e o mais memorável de tudo: conheci pessoas inesquecíveis e únicas de todos os lugares do planeta. Pessoas que me fizeram aprender o verdadeiro valor da amizade, pois éramos solitários em um mundo novo e desconhecido e nos demos conta de que se não nos uníssemos iríamos nos perder naquilo tudo, e isso me fez adorar esse novo estilo de vida.

Decidi que era isso o que eu queria, explorar novas culturas, conhecer novas pessoas, experimentar novos sabores, me jogar sem saber o que me esperava.
O incerto era o que me atraia. Mergulhar em situações não pensadas cuja única estratégia era a do improviso, como comprar um ticket de metrô numa megalópole como Dubaie descer em um ponto não planejado, só para fugir do padrão, e se deparar com o lado menos famoso da cidade, mas encantador, avistando no horizonte o prédio mais alto do mundo (Burj Khalifa) contrastando com a pobreza dos transportadores de jóias.

Ou mesmo arriscar a travessia de uma ilha para outra (de Koh Phi Phi Don para Koh Phi Phi Leh) na Tailândia, com pequenos barcos, em um dia de mar bravo, sabendo que há alguns anos, aconteceu ali o maior Tsunami da história até então, só para ter o gostinho do risco com final feliz, afinal, era aquele o mesmo caminho que o Leonardo Di Caprio fez para chegar até a famosa “Praia” (Maya Bay), que deu nome ao seu filme de 1999, e afirmo uma coisa, a travessia valeu muito a pena.

Quando pisei em Bali, na Indonésia, meu maior desejo era saltar do AJ Hackett, o bungee jump mais exótico de todo o mundo instalado à beira da praia de Kuta, a mais famosa da ilha. O salto, de 45 metros de altura, é feito de dentro de uma casa noturna (Double Six Nightclub), caindo em uma piscina de 3 metros de profundidade.

Para os mochileiros, as escolhas são feitas na hora, sem calculadoras ou roteiros na tela do notebook Em viagens como essas o fato de não dormir bem ou mesmo não dormir, é bem comum. A Tailândia foi uma experiência que mudou meu conceito do medo, afinal dormir em um albergue em um ponto isolado de uma cidade pouco turística (Krabi) já é para os corajosos, agora, escolher a estadia mais barata por conta dos gastos em excesso, ah, isso sim é só para os bravos.

No momento em que você passa pelo corredor, cercado por enormes trepadeiras, quase pisa em uma boneca esquecida por alguma criança, e chega ao seu quarto, quer dizer, para eles aquilo era um quarto, a suspeita de que a noite não vai ser das mais tranquilas já virou fato. Uma outra noite inesquecível começou em uma tarde em Dubai, quando contratei um jipe para me levar para o meio do deserto dos Emirados Árabes para ver um pôr-do-sol sem nada ao meu redor. Paramos em um acampamento árabe no deserto, onde milhares de turistas já estavam aguardando o que viria a acontecer. Pois bem, andei de camelo, jantei pratos típicos, assisti a uma dança do ventre, porém o mais fantástico estava por vir e eu nem sabia. Por um instante resolvi levantar do lugar em que eu estava, muito bem acomodado por sinal, e fui até os tapetes que disponibilizavam Narguilés, os famosos cachimbos de água utilizados para fumar, e me deitei para apreciar aquele momento. O auge da noite foi quando, durante 10 minutos, todas as luzes do acampamento se apagaram, e em um ato mágico, eu estava ali, deitado, estático e espantado com a perfeição daqueles minutos, sob as luzes de um oceano de estrelas naquela imensidão de areia. Me dei conta de que se eu não tivesse me levantado daquele lugar que eu já estava acomodado, aquele instante provavelmente não teria sido tão especial. Está aí uma lição que eu levo comigo.

Enfim, as oportunidades podem estar camufladas no seu dia-a-dia, no trabalho, na escola, na rua, em casa, assistindo a algum programa ou praticando algum esporte. Elas aparecem para cada um de uma maneira. Para mim apareceram como as histórias descritas acima. A oportunidade de viajar como mochileiro e poder estar em situações diferentes do comum me fez valorizar mais a amizade, a família e o agora, o presente, o momento, viver intensamente o instante, porque, por mais clichê que essa frase possa parecer, a felicidade mora aí.

Mochileiro:
viajante independente, que organiza suas viagens por conta própria, que quer ter independência para escolher quais atrativos serão visitados, o tempo de permanência em cada lugar, os meios de locomoção, os locais de hospedagem e o percurso a ser atingido, sempre da forma mais econômica possível, é claro.

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