No Brasil, a chance de encontrar um doador compatível é de uma em cem mil

Produzindo diversas células a todo momento, o nosso organismo nos dá a incrível chance de salvar vidas com uma ação de solidariedade. É na doação de uma pequena parte da medula óssea que pacientes com leucemia, linfoma e doenças que afetam o sangue, veem uma esperança de vida quando o corpo já não responde mais a tratamentos convencionais, como a quimioterapia.

Encontrar um doador compatível não é um desafio simples. A busca começa por parentes próximos, pais e irmãos, que têm 25% de chance de compatibilidade com o paciente. Quando o doador não é encontrado entre os familiares, o REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea) cruza os dados genéticos do paciente com os registros de doadores de todo o país, mas ainda assim a chance de encontrar um indivíduo com uma medula óssea que seja compatível é de uma em cem mil.

Responsável pela produção das células do nosso sangue, a medula óssea é um líquido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. Na oncologia, o transplante de medula óssea é visto como uma alternativa para tumores resistentes às doses convencionais de quimioterapia. Conforme a medicação é aumentada para combater o câncer e outras doenças relacionadas ao sangue, a medula acaba sendo danificada e até mesmo destruída.

É nesses casos que o transplante de medula óssea se torna a única opção de tratamento. “A doação de uma pequena parte da medula óssea é um gesto de amor ao próximo, pois pode salvar uma vida. Há aproximadamente 80 doenças em que o transplante pode ser indicado, podemos destacar alguns cânceres resistentes como leucemias, linfomas, neuroblastomas, mieloma, anemias entre outras doenças”, explica o oncologista Jairo Cartum, responsável pela Oncopediatria da Faculdade de Medicina do ABC.

De acordo com oncologista, o procedimento de doação de medula não causa nenhum prejuízo à saúde do doador e em poucas semanas as células se recompõem. Quanto mais doadores cadastrados, maior é a chance do paciente de conseguir um transplante compatível.

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ATUALIZE SEUS DADOS:

Para quem precisa do transplante, o tempo é precioso e os doadores são localizados pelas informações cadastradas no site. Quando uma mudança de endereço ou telefone é feita sem atualização no instituto, o processo de procura demora mais colocando o paciente em risco de vida. Se você já é cadastrado, atualize os dados em: redome.inca.gov.br/doador/

Em São Paulo, a AMEO (Associação da Medula Óssea) também realiza o cadastro de doadores na Santa Casa de São Paulo. Além disso, a entidade mantém uma Casa de Apoio que oferece acolhimento aos pacientes que moram longe do local de tratamento antes e depois do transplante. “Por meio de palestras, vídeos e materiais didáticos, divulgamos a doação de medula óssea. Não podemos deixar de lembrar o quanto é importante manter o cadastro ativo. Algumas pessoas desistem de fazer a doação e acabam frustrando as esperanças do paciente. Quando isso acontece, todos os recursos gastos com a realização de exames também são jogados fora”, ressalta Wagner Fernandes, gerente geral da AMEO.

A engenheira Sheila Silva, que trabalha no Depto. de Planejamento da MBigucci, é doadora de sangue desde os 18 anos. Em uma de suas doações foi informada do transplante de medula óssea por uma campanha do hospital: “Fiz o cadastro, mas ainda não fui chamada para fazer a doação. Caso apareça um paciente compatível, estarei à disposição. Acredito que se você valoriza a vida, você pode ser um doador de medula óssea.”

Atualmente o REDOME, que pertence ao Ministério da Saúde, tem 4 milhões de doadores cadastrados e é o 3º maior banco de doadores de medula óssea do mundo, ficando atrás só dos Estados Unidos e da Alemanha. Apesar dos números expressivos, milhares de vidas ainda são perdidas pela falta de um paciente com medula compatível para transplante. Acesse: redome.inca.gov.br

Cordão Umbilical – Após muitas pesquisas realizadas, foram identificadas no cordão umbilical dos bebês recém-nascidos uma grande quantidade de células-tronco, que são fundamentais para quem precisa do transplante de medula óssea. Desta forma a doação voluntária do cordão umbilical também pode salvar vidas. A doação deste material genético é feita somente em maternidades credenciadas no programa Rede BrasilCord. Após o nascimento, o cordão umbilical é pinçado e separado do bebê, então é realizada a drenagem do sangue do cordão, cerca de 70 a 100 ml, para uma bolsa de coleta. Depois desse procedimento, no laboratório, as células-tronco são separadas e preparadas para o congelamento, podendo ficar nesse estado por tempo indefinido. O INCA (Instituto Nacional do Câncer) ressalta que a doação voluntária é confidencial, sem troca de informações entre o doador e o receptor. De acordo com a entidade, no Brasil já foram armazenadas 15.345 bolsas de sangue do cordão, 163 já foram utilizadas para transplantes. Gestante, saiba mais em: redome.inca.gov.br/cordao-umbilical

 

*matéria publicada na Revista MBigucci News: migre.me/v2mFH